Seminário Permanente de Estudos sobre Macau
PRIMEIRA SESSÃO:
11 de Novembro 2010, 14h, na FCSH, Universidade Nova, edifício de investigação.
Título da comunicação: "Oriente/Ocidente: a poesia de Alberto Estima de Oliveira, a arte de Tomie Ohtake".
Mónica Simas [Universidade de São Paulo (USP), Brasil].
RESUMO:
O binômio Oriente/Ocidente é descrito, muitas vezes, em determinada tradição discursiva, como um par de polaridades essencialmente antagônico, no entanto, as redes de contatos que o envolvem e que se formaram histórica e geograficamente evidenciam ações afirmativas de interatividade constantes. Este Seminário pretende refletir sobre articulações estéticas híbridas em contextos de trocas culturais complexos a partir da poesia de Alberto Estima de Oliveira (1934 - 2008), escrita em Macau, e da obra da artista nipo-brasileira Tomie Ohtake (1913), realizada no Brasil. Com 7 títulos publicados em Macau, entre 1987 e 1999 e, mais recentemente, com uma primeira antologia publicada em Portugal, em 2003, Alberto Estima de Oliveira foi inventor de uma poesia densa e criativa, uma das mais expressivas em língua portuguesa, radicalmente aberta ao outro no diálogo constante com os mundos possíveis da realidade humana. Tomie Ohtake nasceu em Kioto e chegou ao Brasil em 1936, com 23 anos, sendo, hoje, uma das assinaturas mais consagradas no campo das Artes, tendo realizado mais de uma centena de exposições e recebido, pelo menos, uma dezena de prêmios. Se, como afirma Haroldo de Campos, a crítica não tem elementos para identificar claramente a maneira pessoal como a artista está ligada às raízes japonesas, poder-se-ia apontar, por outro lado, para a o lugar enigmático que Macau ocupa na constituição da poesia de Alberto Estima de Oliveira. Ao evitar a referencialização, o silêncio torna-se uma mola fundante do ser da poesia deste último. Na obra daquela, ao se transpor o figurativismo, o vazio passa a intensificar o corpo/cor que abriga as mais diversas formas. Ambos foram artistas independentes com percursos pessoais. E, sobretudo, ambos articularam o binômio Oriente/Ocidente rasurando a antiga dicotomia em sensíveis vibrações.
Sexta-feira, Novembro 12, 2010
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